A importância do adestramento

| Por Priscilla Mitre, adestradora da equipe Cão Cidadão

Por que adestrar?

Hoje em dia, o relacionamento entre os tutores e seus animais de estimação está cada vez mais próximo: os pets estão inseridos no meio familiar, sendo tratados como filhos e cercados de muito amor. Porém, nenhum relacionamento é perfeito e podem haver conflitos, causados por problemas na comunicação entre os donos e seus peludos.

Dessa forma, percebemos que a procura por adestramento está cada vez mais comum, principalmente por conta de problemas de comportamento, que precisam ser solucionados. Contudo, por causa da ansiedade dos donos, é comum ouvir a frase: “não quero que se ensine comandos para o meu cachorro, quero apenas resolver esse problema específico, de forma rápida”. O que muitos tutores não sabem é que para alcançar os objetivos, o comando é um dos mais importantes passos a ser seguido. Exemplo: fazer o cão ficar parado no portão, quando esse está aberto para se evitar fugas; controlar a ansiedade nos passeios e em momentos de estresse, como visitas ao veterinário, entre outros.

O adestramento melhora a comunicação entre o pet e o tutor. Conhecendo melhor as necessidades do animal, será cada vez mais fácil lidar com seus comportamentos. E o pet, por sua vez, aprende a respeitar o seu tutor, cada vez mais. Quanto mais o animal aprende e percebe que existe melhora no relacionamento, mais vontade ele tem de aprender e mais legal ficam os treinos. Ele já sabe que seu tutor espera algo dele e tenta acertar, aumentando sua capacidade de solução de problemas e de interação com a família. O adestramento, por si só, é uma excelente forma de estimular o animal não só fisicamente, mas também psicológica e emocionalmente. Dessa maneira, ele passa a ter mais atividades e isso já é o início da prevenção e solução de problemas comportamentais.

Quando falamos em adestramento, os tutores não sabem ao certo se o cão obedecerá somente ao adestrador. Para evitar dúvidas, opte por um profissional que dê as aulas na sua presença, que explique detalhadamente o que está sendo realizado, os motivos e as expectativas daquela aula. É importante a utilização de métodos com reforço positivo, ou seja, aquele em que o animal é recompensado pelos seus acertos. Treinamentos a base de recompensas, sejam elas petiscos, carinhos, brinquedos ou qualquer coisa que ele goste muito, fazem com que o cão se interesse mais pelas aulas, tenha motivação para aprender e obedecer. Cães que são estimulados positivamente, naturalmente, aprendem mais rápido.

Quando Adestrar?

Cães velhos aprendem truques novos? Claro que sim! Não existe idade máxima para iniciar o adestramento. Nunca é tarde para aprender e ensinar.

É importante saber que os filhotes passam por fases de desenvolvimento cerebral, que podem interferir no momento de iniciar o treino e no modo como ele é conduzido. Por isso, é muito importante que os filhotes não sejam separados da mãe e dos irmãozinhos antes dos 60 dias de vida, pois é nesta fase que eles aprendem a conviver com outros cães e começam a ter noção dos limites apresentados pela mãe. Quando os cães são retirados do convívio antes desse período, podem apresentar problemas de relacionamento.

Do final do 2º até o final do 3º mês, o cãozinho passa pela fase em que precisa ser socializado com a maioria dos estímulos do dia a dia, como: barulhos diversos, pessoas diferentes e outros animaizinhos (saudáveis e vacinados, já que o seu cãozinho ainda não tomou todas as vacinas nesta fase). Esta é chamada de 1ª fase do medo e é importante que o filhote se acostume adequadamente com essas situações, para que não se torne um animal medroso. Da 12ª a 16ª semana, o filhote começa a testar as pessoas da família, por meio de brincadeiras. é nesta fase que começam a se estabelecer as relações de liderança e que você, gentilmente, deverá mostrar a ele alguns limites como, por exemplo, não morder os envolvidos nas brincadeiras.

Do 4º ao 8º mês, o filhote começa a se mostrar independente e pode passar a ignorá-lo. Por isso, é importante que você mantenha bem o controle e evite que ele deixe de obedecer. Durante esse período, mais precisamente a partir do 6º ao 14º mese, inicia-se a 2ª fase do medo, em que o cãozinho pode apresentar receio do que não tinha antes. Então, apenas evite o excesso de exposição a situações em que ele demonstre desconforto.

De 1 a 4 anos temos o período entre a adolescência e a maturidade. O cão pode novamente querer testar os membros da família e sua liderança. Alguns cães não vão se preocupar com isso, pois se sentem confortáveis na posição de liderados, mas aqueles que vão optar por testar os tutores, podem apresentar sinais iniciais de agressividade. É um comportamento normal, mas que não deve ser reforçado. É importante que, numa disputa, por um objeto que não pertence ao animal, o cão sempre fracasse.

O adestramento pode ser iniciado a partir do final do 2º mês de vida. Em todas essas fases, um adestrador profissional, competente e responsável, poderá auxiliar o tutor quanto às formas corretas de passar por cada uma delas, seja com os treinamentos adequados, seja com informações importantes, para que você consiga conduzir seu cãozinho à fase adulta da melhor forma possível.

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